Saúde Mental

Sertralina na gravidez e na amamentação: o que diz a evidência

Sertralina na gravidez e amamentação: riscos, benefícios de tratar a depressão gestacional e o que dizem os estudos sobre segurança para o bebê.

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12 min · Atualizado em 21/08/2026
Ilustração editorial — Sertralina na gravidez e na amamentação: o que diz a evidência (Saúde Mental)
Ilustração editorial — Sertralina na gravidez e na amamentação: o que diz a evidência (Saúde Mental)

A decisão de usar ou manter a sertralina durante a gravidez e a amamentação é uma das dúvidas mais frequentes — e mais carregadas de ansiedade — entre mulheres em tratamento para depressão, ansiedade ou TOC que engravidam ou planejam engravidar. A resposta não é simples, mas a sertralina é, entre os antidepressivos, um dos mais estudados e frequentemente considerados entre as opções preferenciais quando a medicação é necessária nesse período.

É fundamental entender que a decisão não é apenas 'medicamento versus nenhum risco'. Depressão e ansiedade não tratadas na gravidez também têm riscos documentados, tanto para a mãe quanto para o desenvolvimento do bebê — incluindo maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e prejuízo no vínculo mãe-bebê. A avaliação correta é sempre uma balança entre riscos e benefícios, individualizada por caso.

Este guia reúne o que a literatura científica mostra sobre segurança da sertralina na gestação e na amamentação, os cuidados por trimestre e as recomendações práticas para conversar com o obstetra e o psiquiatra de forma alinhada.

Panorama geral: por que é considerada uma opção preferencial

Entre os ISRS, a sertralina é um dos mais estudados em gestantes, com um volume grande de dados acumulados ao longo de décadas de uso. Isso não significa risco zero, mas significa que os padrões de segurança são mais bem conhecidos do que os de medicamentos mais novos, com menos tempo de dados publicados.

Diretrizes de sociedades de obstetrícia e psiquiatria frequentemente citam a sertralina como uma das opções preferenciais quando o tratamento medicamentoso é necessário durante a gravidez, ao lado de outros ISRS com perfil de segurança semelhante.

Os riscos de não tratar a depressão na gravidez

A depressão e a ansiedade não tratadas durante a gestação não são condições neutras. Estudos associam esses quadros a maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer, pré-eclâmpsia, dificuldade de adesão ao pré-natal e maior risco de depressão pós-parto.

Além disso, o sofrimento psíquico materno não tratado pode impactar negativamente o vínculo com o bebê após o nascimento e o desenvolvimento infantil a médio prazo, o que reforça que a decisão de suspender o tratamento não é isenta de riscos.

A pergunta certa não é apenas 'a sertralina é segura na gravidez', mas sim 'qual opção representa o menor risco geral para mãe e bebê neste caso específico' — e essa avaliação deve ser feita em conjunto por obstetra e psiquiatra.

Uso no primeiro trimestre

O primeiro trimestre é o período de maior preocupação teórica com malformações, já que é quando ocorre a formação dos principais órgãos do feto (organogênese). A maior parte dos estudos com sertralina não mostra aumento consistente e relevante de malformações maiores associadas ao seu uso, embora análises pontuais de subgrupos tenham gerado sinais que ainda são debatidos na literatura.

De forma geral, sertralina não está entre os antidepressivos com evidência forte de risco teratogênico significativo, ao contrário de outros medicamentos psiquiátricos com contraindicação mais clara na gestação.

Uso no terceiro trimestre e no parto

O uso de ISRS próximo ao parto tem sido associado a uma síndrome de adaptação neonatal transitória, caracterizada por irritabilidade, choro agudo, dificuldade de sucção, tremores leves e, raramente, dificuldade respiratória no recém-nascido. Esses sintomas costumam ser leves, autolimitados e resolvem-se em poucos dias sem necessidade de tratamento específico na maioria dos casos.

Também é discutido na literatura um possível aumento pequeno do risco de hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido associado ao uso de ISRS no fim da gestação, embora esse risco absoluto seja considerado baixo.

A decisão de reduzir a dose perto do parto para minimizar sintomas neonatais deve ser feita apenas com orientação médica — reduzir por conta própria pode aumentar o risco de recaída materna, o que também traz riscos ao bebê.

Sertralina na amamentação

A sertralina é frequentemente considerada um dos antidepressivos preferenciais durante a amamentação, pois estudos mostram que ela passa para o leite materno em quantidades muito pequenas, geralmente abaixo dos níveis considerados clinicamente relevantes para a maioria dos bebês.

Isso a diferencia de outros ISRS com concentrações relativamente mais altas no leite materno, sendo por isso citada com frequência em protocolos de saúde materna como opção de primeira linha quando a mãe já estava em uso antes do parto ou precisa iniciar tratamento durante a amamentação.

  • Passagem para o leite materno geralmente baixa
  • Monitorar sinais no bebê: sonolência excessiva, irritabilidade, dificuldade de ganho de peso
  • Manter acompanhamento pediátrico regular durante o uso
  • Não é necessário suspender a amamentação apenas por estar em uso de sertralina, salvo orientação específica

Planejando a gravidez enquanto usa sertralina

Para mulheres que já usam sertralina e planejam engravidar, o ideal é discutir com o psiquiatra antes da concepção, e não depois de confirmada a gravidez. Isso permite avaliar com calma se o tratamento deve ser mantido, ajustado ou substituído, considerando o histórico de resposta e gravidade do quadro.

Interromper abruptamente o antidepressivo ao descobrir a gravidez, por conta própria, é uma das condutas mais associadas a recaída significativa nesse período — e deve ser evitada.

O papel da psicoterapia nesse período

Em quadros leves a moderados de ansiedade ou depressão, a psicoterapia (especialmente TCC) pode ser suficiente como tratamento único durante a gestação, evitando ou reduzindo a necessidade de medicação. Em quadros moderados a graves, ou com histórico de recaída importante, a combinação de terapia com medicação costuma ser a abordagem mais segura.

Como alinhar obstetra e psiquiatra

O ideal é que obstetra e psiquiatra estejam em contato durante todo o pré-natal, principalmente perto do parto, para alinhar a conduta sobre dose, necessidade de ajuste e cuidados com o recém-nascido nos primeiros dias de vida.

  • Leve à consulta obstétrica as informações sobre dose e tempo de uso da sertralina
  • Informe a maternidade sobre o uso do medicamento antes do parto
  • Combine com o pediatra a observação do recém-nascido nos primeiros dias

Conclusão

A sertralina é uma das opções mais estudadas e frequentemente preferidas entre os antidepressivos para uso na gravidez e na amamentação, mas a decisão de usar, manter ou ajustar deve sempre considerar o quadro clínico individual, o histórico da paciente e ser tomada em conjunto com obstetra e psiquiatra — nunca interrompida ou iniciada por conta própria.

Guia completo: Sertralina

Hub completo da sertralina: dose inicial e ajuste, tempo de resposta, efeitos colaterais, álcool, gravidez e desmame.

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Perguntas frequentes

+Sertralina pode ser tomada durante a gravidez?

Em muitos casos sim, sob orientação médica. É considerada uma das opções preferenciais entre os antidepressivos quando o tratamento medicamentoso é necessário na gestação.

+Sertralina causa malformação no bebê?

A maior parte dos estudos não mostra aumento consistente e relevante de malformações maiores associadas ao uso de sertralina na gravidez.

+Posso amamentar tomando sertralina?

Sim, na maioria dos casos. A sertralina passa em quantidades pequenas para o leite materno e é frequentemente considerada opção preferencial durante a amamentação.

+Devo parar a sertralina assim que descobrir a gravidez?

Não por conta própria. A suspensão abrupta aumenta o risco de recaída e deve ser discutida com o psiquiatra, avaliando riscos e benefícios do caso específico.

+Sertralina no terceiro trimestre traz riscos para o bebê?

Pode haver uma síndrome de adaptação neonatal transitória, com sintomas leves e autolimitados na maioria dos casos, além de discussão sobre um pequeno aumento de risco de hipertensão pulmonar neonatal.

+É melhor trocar de antidepressivo antes de engravidar?

Depende do histórico. Se a sertralina já funciona bem, trocar pode não trazer benefício e ainda expor a novos riscos desconhecidos do novo medicamento. Essa decisão deve ser individualizada.

+Terapia sozinha pode substituir a sertralina na gravidez?

Em quadros leves a moderados, sim, pode ser suficiente. Em quadros mais graves, a combinação de terapia e medicação costuma ser mais segura.

+O bebê pode nascer com sintomas de abstinência da sertralina?

Pode haver sintomas leves e transitórios de adaptação neonatal, como irritabilidade e choro agudo, geralmente resolvidos em poucos dias.

+Preciso avisar a maternidade que uso sertralina?

Sim, é importante informar a equipe médica sobre o uso do medicamento antes do parto para o acompanhamento adequado do recém-nascido.

+Qual antidepressivo é considerado mais seguro na amamentação?

A sertralina é frequentemente citada como uma das opções preferenciais, pela baixa passagem para o leite materno observada em estudos.

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Comentários reais

F
Fernanda A.
12/06/2026

Texto muito completo, explicou dúvidas que meu médico não teve tempo de detalhar.

A
Anônimo
03/06/2026

Ajudou a entender melhor o que esperar do tratamento.

R
Ricardo M.
22/05/2026

Bem escrito e organizado, sem enrolação.

J
Juliana P.
10/05/2026

Guardei este artigo para reler depois da consulta.

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