Antidepressivo (ISRS)

Sertralina

Princípio ativo: Cloridrato de sertralina

Ainda não há avaliações
Exige receita médica (sem retenção)
Conteúdo informativo · não substitui a orientação médica

Para que serve

Tratamento da depressão, transtorno do pânico, TOC, estresse pós-traumático e fobia social.

Como usar

Dose inicial de 50 mg/dia, com ajustes pelo médico até no máximo 200 mg/dia. Tomar pela manhã ou à noite.

Contraindicações

  • Uso com IMAOs
  • Hipersensibilidade à sertralina

Efeitos colaterais

  • Náuseas
  • Insônia
  • Tontura
  • Disfunção sexual

Interações medicamentosas

  • IMAOs
  • Varfarina
  • AINEs
  • Lítio

Mecanismo de ação da sertralina

A sertralina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS), usado no tratamento de depressão, transtornos de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno do pânico e transtorno de estresse pós-traumático. Ela bloqueia o transportador que recaptura a serotonina liberada nas sinapses, aumentando a disponibilidade desse neurotransmissor na fenda sináptica e, com o tempo, promovendo adaptações nos receptores serotoninérgicos que se relacionam à melhora do humor e da ansiedade.

Essa adaptação neuronal explica por que o efeito terapêutico não é imediato: embora alguns efeitos colaterais apareçam já nos primeiros dias, a melhora consistente do humor costuma ser percebida somente após duas a seis semanas de uso contínuo. É um erro comum interromper o medicamento nas primeiras semanas por "não estar fazendo efeito" — nesse período o mais importante é justamente manter a regularidade da dose.

A sertralina tem seletividade relativamente alta para o transportador de serotonina, com menor interferência sobre noradrenalina e dopamina em comparação a antidepressivos mais antigos, o que contribui para um perfil de efeitos colaterais geralmente mais tolerável do que os tricíclicos.

Apresentações, início e ajuste da dose

A sertralina é comercializada em comprimidos de 25 mg, 50 mg e 100 mg. O tratamento costuma começar com doses baixas — frequentemente 25 mg a 50 mg ao dia — justamente para reduzir o desconforto inicial, com aumentos graduais definidos pelo médico conforme a resposta clínica e a tolerância, podendo chegar a 200 mg diários em alguns quadros.

É prescrita para uso contínuo, geralmente uma vez ao dia, podendo ser tomada pela manhã ou à noite dependendo de como cada pessoa reage — algumas sentem mais sonolência, outras mais ativação, e o horário é ajustado conforme essa resposta individual. Tomar com alimento reduz o desconforto gástrico comum no início do tratamento.

A suspensão nunca deve ser feita de forma abrupta pelo próprio paciente. Interromper repentinamente pode causar a chamada síndrome de descontinuação de ISRS, com tontura, sensação de choque elétrico na cabeça, irritabilidade, náusea e distúrbios do sono; por isso a redução é feita de forma gradual, sob orientação médica.

Efeitos adversos mais comuns e o que fazer

Nas primeiras semanas, é comum sentir náusea, diarreia, boca seca, tremores leves, sudorese e alterações do sono — insônia ou sonolência, dependendo da pessoa. Esses efeitos costumam diminuir de intensidade ao longo de duas a três semanas à medida que o corpo se adapta; quando persistem ou são muito incômodos, vale conversar com o médico antes de abandonar o tratamento por conta própria.

Disfunção sexual, incluindo redução da libido e dificuldade para atingir o orgasmo, é um efeito relativamente frequente e muitas vezes subnotificado, mas que deve ser relatado ao médico, pois existem estratégias de manejo, incluindo ajuste de dose ou troca de medicamento. Aumento ou perda de apetite também pode ocorrer.

Sinais que pedem avaliação urgente incluem pensamentos de autolesão (especialmente relevantes em jovens nas primeiras semanas de tratamento), agitação extrema, confusão mental, febre, rigidez muscular e sudorese intensa — que podem indicar síndrome serotoninérgica, uma complicação rara mas grave, geralmente associada à combinação com outros medicamentos serotoninérgicos.

Uso em gestantes, idosos e crianças

Na gravidez, a decisão de manter, ajustar ou trocar a sertralina é sempre individualizada, pesando os riscos da depressão ou ansiedade não tratadas contra os riscos do medicamento; ela é um dos ISRS mais estudados nesse contexto e, em muitos casos, é mantida sob acompanhamento médico rigoroso. No terceiro trimestre, o uso próximo ao parto pode causar sintomas transitórios de adaptação no recém-nascido, como irritabilidade e dificuldade de sucção, que geralmente se resolvem sozinhos.

Em idosos, o início do tratamento costuma ser com doses menores, e há atenção especial ao risco de hiponatremia (queda do sódio no sangue), que pode se manifestar como confusão, fraqueza e dor de cabeça, sendo mais comum nessa faixa etária e em quem usa diuréticos simultaneamente.

Em crianças e adolescentes, a sertralina tem indicações específicas aprovadas, como o transtorno obsessivo-compulsivo, e exige acompanhamento próximo por psiquiatra, com atenção redobrada a mudanças de comportamento nas primeiras semanas.

Interações importantes e uso racional

A combinação com outros medicamentos serotoninérgicos — outros antidepressivos, tramadol, triptanos usados para enxaqueca e alguns antieméticos — aumenta o risco de síndrome serotoninérgica e deve ser sempre informada ao médico. O uso com inibidores da monoaminoxidase (IMAO) é contraindicado, exigindo intervalo de segurança entre a suspensão de um e o início do outro.

Anti-inflamatórios não esteroidais e anticoagulantes, quando usados junto com sertralina, aumentam o risco de sangramento, incluindo gastrintestinal, porque a serotonina também participa da agregação plaquetária. Bebidas alcoólicas podem intensificar a sedação e o prejuízo cognitivo, sendo recomendável evitar ou moderar bastante o consumo durante o tratamento.

A sertralina é um medicamento psicotrópico de venda sob prescrição médica obrigatória (retenção de receita conforme a legislação vigente). O uso deve seguir estritamente a orientação do psiquiatra ou médico prescritor, sem ajustes de dose por conta própria e sem compartilhamento do medicamento com outras pessoas, ainda que os sintomas pareçam semelhantes.

Quando buscar avaliação médica durante o tratamento

É importante procurar o médico se, após seis semanas de dose adequada, não houver nenhuma melhora perceptível do humor ou da ansiedade, se os efeitos colaterais forem muito incômodos, ou se surgirem ideias de morte ou de autolesão — nesse último caso a procura deve ser imediata, inclusive em serviço de emergência se houver risco iminente.

Também merece contato médico rápido qualquer sinal de reação alérgica, sangramento incomum, sintomas sugestivos de síndrome serotoninérgica ou de hiponatremia. Consultas de acompanhamento regulares permitem ajustar a dose, avaliar a necessidade de manutenção do tratamento a longo prazo e planejar uma eventual redução gradual quando indicado.

Perguntas frequentes

+Quanto tempo leva para fazer efeito?

Entre 2 e 4 semanas para os primeiros efeitos terapêuticos.

+Pode parar de tomar?

Nunca interrompa abruptamente; é necessário reduzir a dose com orientação médica.

+Sertralina engorda?

O efeito sobre o peso é variável; algumas pessoas notam pequeno ganho de peso após uso prolongado, enquanto outras não percebem alteração. Não é um efeito universal nem previsível.

+Quanto tempo demora para a sertralina fazer efeito?

Melhora consistente do humor costuma aparecer entre duas e seis semanas de uso contínuo, enquanto alguns efeitos colaterais surgem já nos primeiros dias.

+Pode tomar sertralina com álcool?

Não é recomendado. O álcool pode piorar a sedação, prejudicar o julgamento e interferir negativamente no próprio quadro que motivou o tratamento.

+Sertralina causa dependência?

Não é uma substância de abuso, mas o corpo se adapta à presença contínua do medicamento, por isso a suspensão deve ser sempre gradual e orientada pelo médico.

+Sertralina atrapalha o sono?

Pode causar insônia ou sonolência, dependendo da pessoa; o horário da dose costuma ser ajustado pelo médico conforme essa resposta individual.

Referências

Aviso importante
Este conteúdo é apenas informativo

O MeuRemédio não vende, não indica onde comprar e não faz publicidade de medicamentos. Sertralina deve ser usado apenas sob prescrição e acompanhamento de um profissional de saúde, e adquirido em farmácias regularizadas mediante apresentação de receita quando exigido pela Anvisa.

Como este medicamento é dispensado

Exige receita médica (sem retenção) A venda depende de prescrição médica válida. O conteúdo desta página é informativo e não indica onde comprar.

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