Para que serve
Alívio de dores leves a moderadas, redução da febre e tratamento de inflamações como artrite, tendinite e cólicas.
Como usar
Adultos: 200 a 400 mg a cada 6 a 8 horas, sem ultrapassar 1.200 mg em 24h. Tomar com alimentos.
Contraindicações
- •Úlcera gástrica ativa
- •Insuficiência renal grave
- •Alergia a AINEs
- •3º trimestre de gestação
Efeitos colaterais
- •Dor de estômago
- •Náuseas
- •Tontura
- •Aumento de pressão arterial
Interações medicamentosas
- →Varfarina
- →Anti-hipertensivos
- →Lítio
- →Metotrexato
Como o ibuprofeno age
O ibuprofeno é um anti-inflamatório não esteroidal (AINE) que inibe de forma não seletiva as enzimas ciclo-oxigenase 1 e 2 (COX-1 e COX-2). Ao bloquear a COX-2, reduz a produção das prostaglandinas envolvidas em dor, febre e inflamação — daí seu efeito tríplice, mais completo que o do paracetamol em quadros com inchaço e calor local.
O problema é que a COX-1 também é inibida, e é ela que mantém a produção de prostaglandinas protetoras da mucosa gástrica, o fluxo sanguíneo renal e a função plaquetária normal. Praticamente todos os efeitos adversos relevantes do ibuprofeno derivam desse bloqueio simultâneo.
Por via oral, o início do efeito analgésico ocorre em cerca de 30 minutos; o efeito anti-inflamatório pleno, no entanto, só aparece após alguns dias de uso regular, o que importa em quadros como tendinite e artrite.
Doses: analgésica x anti-inflamatória
Para dor e febre em adultos, a faixa habitual é de 200 a 400 mg a cada 6 a 8 horas. Para efeito anti-inflamatório, as doses prescritas são maiores — frequentemente 600 mg três vezes ao dia —, sempre sob orientação médica, respeitando o máximo de 1.200 mg diários em automedicação e até 2.400 mg quando prescrito.
Doses acima da faixa analgésica não aumentam proporcionalmente o alívio da dor, mas aumentam de forma clara o risco gástrico, renal e cardiovascular. Tomar com alimento não elimina o risco de úlcera — reduz o desconforto imediato, mas a lesão da mucosa é sistêmica, e não apenas por contato direto.
Riscos gástrico, renal e cardiovascular
O risco gastrintestinal vai de dispepsia e azia até úlcera péptica e sangramento digestivo, que pode ocorrer sem dor prévia. Ele aumenta com idade acima de 60 anos, histórico de úlcera, uso concomitante de corticoide, anticoagulante ou de outro AINE, e consumo de álcool. Quando o uso prolongado é necessário, o médico costuma associar um inibidor de bomba de prótons como proteção.
Nos rins, a inibição das prostaglandinas reduz a perfusão renal. Em pessoas hidratadas e com função renal normal isso é irrelevante; em desidratação, insuficiência cardíaca, doença renal crônica ou uso de diuréticos e anti-hipertensivos, pode precipitar lesão renal aguda. A combinação de AINE, diurético e inibidor da ECA é conhecida na literatura clínica como "tríade perigosa".
No sistema cardiovascular, o uso prolongado de AINEs em doses altas está associado a aumento discreto do risco de infarto e AVC, além de elevação da pressão arterial e retenção de líquido. Para uso pontual de poucos dias em pessoa saudável, esse risco é considerado baixo.
Interações relevantes
Com anticoagulantes como a varfarina e os anticoagulantes orais diretos, o ibuprofeno soma efeito antiplaquetário ao efeito anticoagulante e eleva substancialmente o risco de sangramento. Com o lítio e o metotrexato, reduz a excreção renal dessas substâncias e pode levar a níveis tóxicos.
Com anti-hipertensivos — sobretudo inibidores da ECA, bloqueadores do receptor de angiotensina e diuréticos —, o ibuprofeno reduz a eficácia do tratamento e pode desestabilizar uma pressão que estava controlada. Há ainda uma interação pouco conhecida com o AAS em dose cardioprotetora: o ibuprofeno pode competir pelo sítio de ação nas plaquetas e reduzir o efeito protetor do AAS se tomado pouco antes dele.
Associar ibuprofeno a outro AINE (nimesulida, diclofenaco, naproxeno, cetoprofeno) não potencializa o alívio e multiplica o risco. Já a associação com paracetamol é usada clinicamente em alguns contextos, porque os mecanismos são diferentes — mas deve ser orientada por profissional.
Gestação, amamentação e crianças
No terceiro trimestre da gestação, o ibuprofeno é contraindicado: pode provocar fechamento precoce do ducto arterial fetal e redução do líquido amniótico. A partir da 20ª semana, agências regulatórias já recomendam evitar o uso. No primeiro e no segundo trimestres, só com avaliação médica — o paracetamol é a alternativa preferencial.
Na amamentação, a passagem para o leite é mínima e o uso é considerado compatível. Em crianças acima de 6 meses, o ibuprofeno é amplamente utilizado como antitérmico e analgésico, com dose calculada por peso (habitualmente 5 a 10 mg/kg por administração), evitando-se o uso em desidratação, vômitos persistentes ou suspeita de dengue.
Sinais de alerta para interromper o uso
Fezes escuras e com odor forte, vômito com sangue ou com aspecto de borra de café, dor epigástrica intensa, inchaço nas pernas, redução importante do volume de urina, falta de ar e ganho rápido de peso são sinais que exigem suspensão imediata e avaliação médica.
Em quadros de febre com suspeita de dengue, zika ou chikungunya, os AINEs devem ser evitados pelo risco hemorrágico — nesses casos, paracetamol e dipirona são as opções indicadas pelos protocolos do Ministério da Saúde.
Perguntas frequentes
+Ibuprofeno corta efeito de antibiótico?
Não há evidência consistente disso. Sempre confirme com o médico.
+Posso tomar todo dia?
Uso contínuo só com prescrição, pelo risco gástrico e renal.
+Ibuprofeno pode ser tomado em jejum?
Não é recomendado. Tomar após alimento reduz o desconforto gástrico, embora não elimine o risco de lesão da mucosa.
+Quanto tempo posso usar sem receita?
Até três dias para febre e cinco dias para dor. Se o sintoma persistir além disso, a causa precisa ser investigada.
+Ibuprofeno é melhor que dipirona?
Depende do quadro. Para dor com inflamação, o ibuprofeno tende a funcionar melhor; para febre isolada e cólicas, a dipirona costuma ser suficiente e tem menor risco gástrico.
+Quem tem pressão alta pode tomar ibuprofeno?
Deve evitar o uso rotineiro. O ibuprofeno eleva a pressão e reduz o efeito de vários anti-hipertensivos; uso pontual precisa ser conversado com o médico.
+Ibuprofeno pode ser usado na dengue?
Não. Todos os anti-inflamatórios não esteroidais são contraindicados em suspeita de dengue pelo risco de sangramento.
Referências
- •Bulário Eletrônico — ibuprofeno— Anvisa
- •Ibuprofen — monografia clínica— DrugBank
- •NSAIDs and cardiovascular risk — revisão— European Medicines Agency
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Fontes oficiais consultadas
As informações sobre Ibuprofeno são conferidas nas fontes sanitárias abaixo.
- Anvisa — Bulário Eletrônico
Bulas profissionais e para o paciente registradas no Brasil.
- Ministério da Saúde
Protocolos clínicos, diretrizes terapêuticas e alertas de saúde pública.
- Anvisa — Alertas e farmacovigilância
Notificações de segurança, recolhimentos e monitoramento pós-registro.
- Biblioteca Virtual em Saúde (BVS/BIREME)
Literatura científica em saúde indexada para a América Latina.
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Como este medicamento é dispensado
Isento de prescrição (MIP) Pode ser vendido sem prescrição, mas o uso por conta própria deve ser pontual e orientado pela bula.