Analgésico e antitérmico

Paracetamol

Princípio ativo: Paracetamol

Ainda não há avaliações
Isento de prescrição (MIP)
Conteúdo informativo · não substitui a orientação médica

Para que serve

Alívio de dores leves a moderadas e redução da febre. Considerado seguro para a maioria das pessoas.

Como usar

Adultos: 500 mg a 1 g a cada 6 horas. Não exceder 3 g por dia.

Contraindicações

  • Doença hepática grave
  • Alergia ao paracetamol

Efeitos colaterais

  • Raros em doses corretas
  • Hepatotoxicidade em altas doses

Interações medicamentosas

  • Varfarina
  • Álcool

Como o paracetamol age

O paracetamol (acetaminofeno) atua predominantemente no sistema nervoso central, inibindo a síntese de prostaglandinas em nível cerebral e modulando vias descendentes de controle da dor. Essa ação central explica um ponto muitas vezes mal compreendido: o paracetamol alivia dor e febre, mas praticamente não tem efeito anti-inflamatório nos tecidos. Ele não desincha uma articulação nem reduz a inflamação de uma torção.

A contrapartida dessa característica é a segurança gástrica. Como não bloqueia de forma relevante a produção de prostaglandinas protetoras do estômago, o paracetamol não causa a gastrite e as úlceras associadas aos anti-inflamatórios. Por isso é o analgésico de primeira escolha para quem tem histórico de úlcera, usa anticoagulante ou não tolera AINEs.

O início de ação por via oral ocorre em torno de 30 a 60 minutos, com pico entre 1 e 2 horas e duração de 4 a 6 horas.

A dose máxima e por que ela é rígida

Para adultos saudáveis, o teto é de 4 g por dia — o equivalente a oito comprimidos de 500 mg ou quatro de 750 mg a 1 g, sempre com intervalo mínimo de 6 horas. Muitos serviços clínicos recomendam limitar a 3 g diários em uso continuado, em idosos, em pessoas com baixo peso ou em quem consome álcool regularmente.

A rigidez desse limite tem explicação bioquímica. A maior parte do paracetamol é conjugada no fígado e eliminada sem problemas, mas uma fração é convertida em NAPQI, um metabólito tóxico neutralizado pela glutationa hepática. Quando a dose ultrapassa a capacidade de conjugação, os estoques de glutationa se esgotam e o NAPQI passa a lesar diretamente as células do fígado.

Jejum prolongado, desnutrição e uso crônico de álcool reduzem a reserva de glutationa e deslocam esse limiar para baixo. É por isso que uma dose considerada segura para uma pessoa pode ser hepatotóxica para outra.

O risco de dose dupla sem perceber

O paracetamol é um dos princípios ativos mais presentes em associações de venda livre. Medicamentos para gripe e resfriado, antitérmicos combinados, analgésicos com cafeína e formulações com relaxante muscular frequentemente já contêm paracetamol na composição — sem que o nome apareça em destaque na embalagem.

Somar um antigripal a um comprimido de paracetamol "para a dor de cabeça" é o cenário clássico de intoxicação acidental. A recomendação prática é simples: antes de associar dois medicamentos de venda livre, leia a composição de ambos e some a quantidade total de paracetamol do dia.

Os sintomas iniciais de sobredose são inespecíficos — náusea, vômito, mal-estar, dor no lado direito do abdome — e podem levar de 24 a 48 horas para aparecer, quando a lesão hepática já está em curso. Suspeita de dose excessiva é emergência: o antídoto (N-acetilcisteína) tem eficácia máxima nas primeiras 8 a 10 horas.

Uso na gravidez, na amamentação e em crianças

O paracetamol é o analgésico e antitérmico de primeira linha durante a gestação e a amamentação, nas menores doses eficazes e pelo menor tempo possível. Não tem o risco de fechamento do ducto arterial associado aos AINEs no terceiro trimestre, e a passagem para o leite materno é considerada clinicamente insignificante.

Em pediatria, a dose é calculada por peso — habitualmente 10 a 15 mg/kg por administração, com intervalo de 6 horas. Erros de diluição em gotas são a causa mais frequente de intoxicação infantil por antitérmico no Brasil, o que reforça a orientação de conferir a concentração do frasco a cada compra: apresentações diferentes do mesmo produto podem ter concentrações distintas.

Interações que importam

Com a varfarina, o uso continuado de paracetamol em doses altas pode elevar o INR e aumentar o risco de sangramento — quem usa anticoagulante deve avisar o médico se precisar tomar paracetamol por vários dias seguidos. Indutores enzimáticos hepáticos, como carbamazepina, fenitoína, fenobarbital, rifampicina e isoniazida, aumentam a formação do metabólito tóxico e reduzem a margem de segurança.

Álcool merece destaque próprio: o consumo crônico é o principal fator que transforma uma dose terapêutica em dose hepatotóxica. Já a interação com alimentos é irrelevante — o paracetamol pode ser tomado com ou sem comida.

Quando procurar avaliação médica

Febre acima de 38 °C por mais de três dias, dor que exige uso do medicamento por mais de cinco dias seguidos, icterícia (pele ou olhos amarelados), urina escura, dor persistente no lado direito superior do abdome e qualquer suspeita de ingestão acima do limite diário são motivos para buscar atendimento.

Em pessoas com doença hepática conhecida, hepatite ou cirrose, o paracetamol pode até ser utilizado, mas a dose precisa ser definida pelo médico — geralmente bem abaixo dos 4 g diários.

Perguntas frequentes

+É mais seguro que dipirona?

Ambos são seguros nas doses corretas; depende do contexto clínico.

+Paracetamol é anti-inflamatório?

Não. Ele é analgésico e antitérmico, com ação central. Para quadros inflamatórios com inchaço e calor local, os anti-inflamatórios não esteroidais são mais adequados.

+Quantos comprimidos de 750 mg posso tomar por dia?

No máximo cinco em 24 horas para chegar ao teto de 4 g, respeitando 6 horas de intervalo. Em idosos ou em uso prolongado, o limite costuma ser reduzido.

+Pode tomar paracetamol de estômago vazio?

Pode. Ele não agride a mucosa gástrica como os AINEs, e o alimento apenas retarda levemente o início do efeito.

+Paracetamol com álcool faz mal?

A combinação aumenta significativamente o risco de lesão hepática, sobretudo em quem bebe com frequência. Evite associar.

+Dá para alternar paracetamol e dipirona na febre?

É uma prática comum, mas deve ser orientada por profissional de saúde. Alternar sem controle de horários facilita a perda da conta das doses.

Referências

Aviso importante
Este conteúdo é apenas informativo

O MeuRemédio não vende, não indica onde comprar e não faz publicidade de medicamentos. Paracetamol deve ser usado apenas sob prescrição e acompanhamento de um profissional de saúde, e adquirido em farmácias regularizadas mediante apresentação de receita quando exigido pela Anvisa.

Como este medicamento é dispensado

Isento de prescrição (MIP) Pode ser vendido sem prescrição, mas o uso por conta própria deve ser pontual e orientado pela bula.

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