Para que serve
Tratamento da hipertensão arterial e proteção renal em diabéticos tipo 2.
Como usar
50 mg uma vez ao dia, podendo ser ajustado a 100 mg/dia conforme orientação médica.
Contraindicações
- •Gravidez
- •Hipersensibilidade
- •Estenose bilateral da artéria renal
Efeitos colaterais
- •Tontura
- •Tosse leve
- •Hipotensão
- •Hipercalemia
Interações medicamentosas
- →Diuréticos poupadores de potássio
- →AINEs
- →Lítio
Como a losartana controla a pressão arterial
A losartana pertence à classe dos bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRA), também chamados de "sartanas". Ela impede que a angiotensina II se ligue ao receptor AT1 presente nos vasos sanguíneos, nas glândulas suprarrenais e nos rins. Sem esse estímulo, os vasos relaxam, a secreção de aldosterona diminui e o organismo retém menos sódio e água — o conjunto reduz a pressão arterial de forma sustentada.
Diferente dos inibidores da ECA (como enalapril e captopril), a losartana não interfere na degradação da bradicinina, substância associada à tosse seca característica dessa outra classe. Por isso a losartana costuma ser a alternativa escolhida quando o paciente desenvolve tosse persistente com um inibidor da ECA, mantendo eficácia anti-hipertensiva comparável.
A losartana é uma pró-droga parcialmente convertida no fígado, pela enzima CYP2C9, em um metabólito ativo (E-3174) mais potente e de ação mais prolongada que a molécula original. Essa conversão explica por que o efeito pleno sobre a pressão só se estabiliza após cerca de três a seis semanas de uso contínuo, mesmo que a queda inicial já apareça nos primeiros dias.
Apresentações e orientações de uso
No Brasil a losartana potássica é encontrada em comprimidos de 25 mg, 50 mg e 100 mg, isolada ou associada à hidroclorotiazida (um diurético) em combinações fixas. A dose inicial mais comum para hipertensão é de 50 mg uma vez ao dia, podendo ser ajustada pelo médico para 100 mg diários ou fracionada em duas tomadas conforme a resposta.
O comprimido pode ser tomado com ou sem alimentos, de preferência sempre no mesmo horário, o que ajuda a manter níveis estáveis do medicamento no sangue e facilita a adesão ao tratamento. Esquecer uma dose isolada não deve ser compensado com dose dobrada; o certo é tomar assim que lembrar, a menos que já esteja próximo do horário da dose seguinte.
Como a losartana atua sobre um sistema hormonal que regula a pressão a longo prazo, a suspensão abrupta não costuma causar crise hipertensiva de rebote como ocorre com alguns betabloqueadores, mas a pressão tende a voltar aos valores anteriores em poucos dias, por isso o tratamento é, em geral, contínuo.
Efeitos adversos e sinais de alerta
A maioria das pessoas tolera bem a losartana. Os efeitos mais relatados são tontura, principalmente nos primeiros dias ou após a primeira dose, cansaço leve e, ocasionalmente, dor lombar ou congestão nasal. A tontura tende a ser mais intensa em quem já estava desidratado ou usando diurético antes de iniciar o medicamento.
Um efeito laboratorial esperado é a leve elevação do potássio sérico, já que a losartana reduz a aldosterona. Isso raramente causa sintomas isoladamente, mas se soma ao risco quando há uso simultâneo de suplementos de potássio, substitutos de sal ricos em potássio ou diuréticos poupadores de potássio como a espironolactona.
Sinais que exigem atenção imediata incluem inchaço de face, lábios ou língua com dificuldade para respirar (angioedema, raro mas grave), urina muito reduzida, fraqueza muscular acentuada e palpitações — estes últimos podem indicar potássio elevado. Diante desses sinais, o medicamento deve ser suspenso e a pessoa deve procurar atendimento médico sem demora.
Populações especiais: gestação, rins e idosos
A losartana é formalmente contraindicada na gestação, especialmente a partir do segundo trimestre, por risco comprovado de malformações renais, oligoidrâmnio e insuficiência renal no feto e no recém-nascido. Mulheres em idade fértil que usam o medicamento devem discutir contracepção com o médico, e quem planeja engravidar precisa trocar o anti-hipertensivo antes da concepção, sob orientação médica.
Em pessoas com doença renal crônica, a losartana costuma ser usada com benefício adicional de proteção renal, sobretudo em quem tem diabetes, mas exige monitoramento da creatinina e do potássio, principalmente nas primeiras semanas e após qualquer ajuste de dose. Em insuficiência hepática moderada a grave, a dose inicial deve ser menor, pois a conversão do medicamento no fígado fica prejudicada.
Idosos costumam responder bem à losartana e não precisam de ajuste de dose apenas pela idade, mas estão mais sujeitos a quedas de pressão ao levantar (hipotensão postural), especialmente se também usam diuréticos. Recomenda-se levantar-se devagar da cama ou de cadeiras nas primeiras semanas de tratamento.
Interações que merecem atenção no dia a dia
Anti-inflamatórios não esteroidais de uso contínuo, como ibuprofeno e diclofenaco, podem reduzir o efeito anti-hipertensivo da losartana e, em conjunto, aumentar o risco de piora da função renal — o uso ocasional para uma dor pontual costuma ser tolerado, mas o uso diário deve ser conversado com o médico. A associação com outros medicamentos que atuam no sistema renina-angiotensina, como inibidores da ECA ou alisquireno, não é recomendada por elevar o risco de hipercalemia e disfunção renal sem ganho adicional de controle pressórico.
Substitutos de sal e suplementos alimentares à base de potássio devem ser usados com cautela, assim como a associação com lítio, cujos níveis sanguíneos podem se elevar durante o uso concomitante de losartana. Bebidas alcoólicas potencializam a queda de pressão e a tontura, especialmente no início do tratamento.
Quando procurar o médico durante o tratamento
É importante retornar ao médico se a pressão arterial medida em casa permanecer persistentemente alta apesar do uso regular, se surgirem tonturas frequentes, inchaço nas pernas, falta de ar aos esforços ou palpitações. Exames de sangue para avaliar função renal e potássio costumam ser solicitados algumas semanas após o início ou após ajustes de dose, e essa rotina não deve ser negligenciada mesmo quando a pessoa se sente bem.
A losartana não deve ser iniciada, ajustada ou suspensa por conta própria: é um medicamento de uso contínuo cuja eficácia depende de acompanhamento médico regular, incluindo aferição periódica da pressão arterial e reavaliação de outros fatores de risco cardiovascular, como colesterol e glicemia.
Perguntas frequentes
+Melhor horário?
Geralmente pela manhã, ajustável conforme a pressão arterial.
+Losartana emagrece ou engorda?
Não há efeito direto da losartana sobre o peso corporal. Retenção de líquido leve é possível, mas incomum, e não caracteriza ganho de peso relevante.
+Losartana pode causar tosse?
É bem menos frequente do que com os inibidores da ECA. Se surgir tosse persistente durante o uso, vale investigar outras causas com o médico.
+Posso tomar losartana à noite?
Sim, o horário pode ser ajustado pelo médico conforme o perfil de pressão de cada pessoa; o importante é manter regularidade diária.
+Losartana e álcool podem ser combinados?
O consumo ocasional e moderado costuma ser tolerado, mas o álcool pode intensificar a queda de pressão e a tontura, principalmente no início do tratamento.
+Losartana faz mal para os rins?
Em geral protege os rins a longo prazo em quem tem hipertensão ou diabetes, mas exige monitoramento porque pode alterar a função renal em situações de desidratação ou uso combinado com outros medicamentos.
Referências
- •Bulário Eletrônico — losartana potássica— Anvisa
- •Losartan — monografia clínica— DrugBank
- •Losartan— MedlinePlus / NIH
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Como este medicamento é dispensado
Exige receita médica (sem retenção) A venda depende de prescrição médica válida. O conteúdo desta página é informativo e não indica onde comprar.
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