Para que serve
Infecções bacterianas das vias urinárias, pele e respiratórias.
Como usar
500 mg de 6 em 6 horas, por 7 a 10 dias.
Contraindicações
- •Alergia a cefalosporinas
- •Alergia grave a penicilinas
Efeitos colaterais
- •Diarreia
- •Náuseas
- •Erupção cutânea
Interações medicamentosas
- →Probenecida
- →Anticoagulantes orais
Como a cefalexina age contra as bactérias
A cefalexina é um antibiótico betalactâmico da classe das cefalosporinas de primeira geração. Seu mecanismo de ação consiste em se ligar às proteínas ligadoras de penicilina (PBPs) presentes na parede celular bacteriana, impedindo a formação das ligações cruzadas de peptidoglicano que dão rigidez e sustentação à parede. Sem essa estrutura íntegra, a bactéria perde a capacidade de resistir à pressão osmótica interna e sofre lise.
Por atuar especificamente na parede celular — estrutura que as células humanas não possuem —, a cefalexina tem toxicidade seletiva para bactérias, o que explica seu perfil de segurança relativamente favorável. Seu espectro de ação cobre principalmente bactérias Gram-positivas, como Staphylococcus aureus sensível à meticilina e Streptococcus pyogenes, além de algumas Gram-negativas comuns em infecções urinárias não complicadas, como Escherichia coli e Proteus mirabilis.
A absorção oral é boa e não depende de jejum, com pico plasmático em cerca de 1 hora. A eliminação é predominantemente renal, na forma inalterada, o que torna a dose sensível à função dos rins.
Apresentações e como usar corretamente
A cefalexina está disponível em cápsulas e comprimidos de 500 mg e 1 g, e em suspensão oral (geralmente 250 mg/5 mL) para uso pediátrico. A posologia em adultos costuma variar de 250 mg a 1 g a cada 6 horas, ou 500 mg a cada 12 horas em infecções mais leves, sempre conforme prescrição médica baseada no tipo e na gravidade da infecção. Em crianças, a dose é calculada por peso corporal.
É fundamental respeitar os horários fixos entre as doses, pois a eficácia dos betalactâmicos depende do tempo em que a concentração do antibiótico permanece acima da concentração mínima necessária para inibir a bactéria — e não apenas do pico de concentração. Tomar em intervalos irregulares reduz esse tempo de exposição eficaz.
O tratamento deve ser completado integralmente, mesmo que os sintomas desapareçam antes do fim previsto pelo médico. Interromper precocemente é um dos principais fatores que favorecem a persistência de bactérias parcialmente resistentes e o retorno da infecção em forma mais difícil de tratar.
Efeitos adversos e sinais de alerta
Os efeitos adversos mais frequentes são gastrintestinais: náusea, diarreia, dor abdominal e, ocasionalmente, candidíase oral ou vaginal por alteração da flora normal. Esses efeitos costumam ser leves e transitórios, mas diarreia intensa, com sangue ou que persiste após o término do tratamento, pode indicar colite associada a Clostridioides difficile, uma complicação que exige avaliação médica.
Reações alérgicas são o ponto de maior atenção com betalactâmicos. Podem variar de exantema cutâneo leve até urticária, angioedema e, em casos raros, anafilaxia. Pessoas com alergia confirmada à penicilina têm um risco aumentado, embora não universal, de reação cruzada com cefalosporinas, e essa possibilidade deve ser informada ao médico antes do início do tratamento.
Sinais de alerta que justificam suspensão imediata e procura por atendimento incluem inchaço de face, lábios ou língua, dificuldade para respirar, urticária generalizada, febre alta associada a manchas na pele e diarreia com sangue.
Populações especiais
Na gestação, a cefalexina é considerada uma opção relativamente segura entre os antibióticos, sendo usada quando há indicação clínica clara, sempre sob orientação médica. Durante a amamentação, pequenas quantidades passam para o leite, mas o uso é geralmente compatível, com atenção a sinais de diarreia ou assadura no bebê.
Em pessoas com insuficiência renal, a dose e o intervalo entre as doses precisam ser ajustados, já que a eliminação do medicamento depende da filtração glomerular; sem ajuste, há risco de acúmulo e maior toxicidade. Em idosos, mesmo com função renal aparentemente normal, a redução fisiológica da filtração glomerular relacionada à idade também pode exigir cautela.
Em crianças, a cefalexina é amplamente utilizada em infecções de pele, ouvido e vias urinárias, sempre com dose ajustada ao peso e reavaliação caso não haja melhora em 48 a 72 horas.
Interações e resistência bacteriana
A cefalexina pode ter absorção ou eliminação alteradas quando usada com outros medicamentos, mas suas interações clinicamente mais relevantes são a redução leve na eficácia de alguns anticoncepcionais orais — pelo efeito sobre a flora intestinal envolvida na circulação êntero-hepática de estrogênios — e a possibilidade de sinergismo tóxico renal quando associada a outros medicamentos nefrotóxicos, como certos anti-inflamatórios em uso contínuo.
A resistência bacteriana aos betalactâmicos, incluindo as cefalosporinas, cresce quando o antibiótico é usado sem indicação — como em infecções virais — ou quando o tratamento é interrompido antes do previsto. Bactérias que sobrevivem a um tratamento incompleto podem desenvolver ou selecionar mecanismos de resistência, como a produção de betalactamases, tornando infecções futuras mais difíceis de tratar com o mesmo medicamento.
Por isso, jamais se deve guardar cefalexina restante de um tratamento anterior para usar em um novo episódio de sintomas sem orientação médica, nem compartilhar antibióticos entre pessoas diferentes: a bactéria causadora pode ser distinta e o antibiótico, inadequado.
Quando procurar o médico
Ausência de melhora após 48 a 72 horas de tratamento correto, piora dos sintomas, febre persistente, sinais de reação alérgica ou diarreia intensa são motivos para reavaliação médica antes do fim previsto do tratamento. A automedicação com antibióticos, incluindo o reaproveitamento de receitas antigas, deve ser evitada, pois retarda o diagnóstico correto e contribui para o aumento da resistência bacteriana em nível populacional.
Concluído o tratamento com melhora completa dos sintomas, não é necessário manter o uso além do tempo prescrito; prolongar o antibiótico sem indicação não traz benefício adicional e aumenta a exposição a efeitos adversos.
Perguntas frequentes
+Quantos dias usar?
Em geral 7 a 10 dias; siga sempre a prescrição até o final.
+Cefalexina serve para dor de garganta?
Pode ser indicada quando a causa é bacteriana, como faringite estreptocócica, mas não tem efeito sobre dores de garganta virais, que são a maioria dos casos.
+Quem é alérgico à penicilina pode tomar cefalexina?
Existe risco de reação cruzada em uma parcela dos casos, por isso a alergia à penicilina deve ser sempre informada ao médico antes de iniciar cefalosporinas.
+Cefalexina corta o efeito do anticoncepcional?
O risco é considerado baixo, mas alguns antibióticos podem reduzir discretamente a eficácia da pílula; o uso de método de barreira adicional durante o tratamento costuma ser uma orientação cautelar.
+Posso tomar cefalexina com álcool?
Não há interação química grave descrita, mas o álcool pode intensificar efeitos gastrintestinais e não favorece a recuperação do organismo durante uma infecção.
+Cefalexina trata infecção urinária?
Pode ser usada em infecções urinárias não complicadas causadas por bactérias sensíveis, sempre com confirmação e prescrição médica.
Referências
- •Bulário Eletrônico — cefalexina— Anvisa
- •Cephalexin — monografia— DrugBank
- •Cephalexin— StatPearls / NIH
O MeuRemédio não vende, não indica onde comprar e não faz publicidade de medicamentos. Cefalexina deve ser usado apenas sob prescrição e acompanhamento de um profissional de saúde, e adquirido em farmácias regularizadas mediante apresentação de receita quando exigido pela Anvisa.
Como este medicamento é dispensado
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