Analgésicos

Paracetamol: de quantas em quantas horas tomar?

Paracetamol 500 e 750 mg é de 6 em 6 horas, máximo 3 g por dia. Veja a dose por peso em crianças, o risco hepático da dose dobrada e quanto tempo demora para agir.

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9 min · Atualizado em 02/08/2026
Ilustração editorial — Paracetamol: de quantas em quantas horas tomar? (Analgésicos)
Ilustração editorial — Paracetamol: de quantas em quantas horas tomar? (Analgésicos)

Resposta direta: o paracetamol é tomado de 6 em 6 horas, tanto na apresentação de 500 mg quanto na de 750 mg. Isso significa no máximo 4 doses em 24 horas. O limite diário seguro para adultos saudáveis é de 3 gramas por dia — 4 gramas é o teto absoluto e só deve ser alcançado sob orientação.

Com comprimidos de 750 mg, 4 doses já somam 3 gramas. Ou seja: quem usa a apresentação de 750 mg não tem margem para uma quinta tomada em hipótese alguma.

O paracetamol é seguro dentro da dose e perigoso fora dela, sem meio-termo. A diferença entre dose terapêutica e dose hepatotóxica é menor do que na maioria dos analgésicos, e a lesão de fígado por overdose de paracetamol é uma das principais causas de insuficiência hepática aguda medicamentosa no mundo.

Abaixo estão a dose por apresentação, o cálculo em crianças, a lista de medicamentos que escondem paracetamol na fórmula e o tempo até o efeito.

Consulta rápida

Adulto
  • Paracetamol 500 mg — 1 a 2 comprimidos a cada 6 horas
  • Paracetamol 750 mg — 1 comprimido a cada 6 horas
  • Gotas 200 mg/mL — 35 a 55 gotas a cada 6 horas
  • Dose máxima recomendada: 3 g/dia
  • Teto absoluto (com orientação): 4 g/dia
Tempo de ação
  • Início: 30 a 60 minutos
  • Pico: 1 a 2 horas
  • Duração: 4 a 6 horas
  • Intervalo mínimo: 6 horas
Conte o intervalo a partir do horário da dose anterior, nunca a partir do momento em que a dor voltou. Se a dor retorna antes do tempo, o problema é a causa da dor — não a dose.

Dose em crianças

Em pediatria, a dose é de 10 a 15 mg/kg por tomada, a cada 6 horas. Na apresentação em gotas de 200 mg/mL, cada gota tem aproximadamente 10 mg, o que resulta na regra prática de 1 gota por quilo.

Gotas 200 mg/mL (1 gota por kg)
  • 8 kg — 8 gotas a cada 6 horas
  • 12 kg — 12 gotas a cada 6 horas
  • 16 kg — 16 gotas a cada 6 horas
  • 20 kg — 20 gotas a cada 6 horas
  • Máximo de 5 doses em 24 horas em pediatria, conforme orientação
Cuidados
  • Confirme a concentração no rótulo (existem 100 e 200 mg/mL)
  • Use o conta-gotas do próprio frasco
  • Repese a criança periodicamente
  • Não combine com outro produto que contenha paracetamol

Onde o paracetamol se esconde

Boa parte das overdoses acidentais acontece porque a pessoa toma paracetamol puro e, ao mesmo tempo, um antigripal ou um analgésico combinado que já contém paracetamol na fórmula.

  • Antigripais em cápsula, pó ou xarope
  • Analgésicos combinados com cafeína ou orfenadrina
  • Medicamentos para cólica menstrual com associação
  • Xaropes para tosse com componente antitérmico
Antes de tomar dois medicamentos no mesmo dia, leia a composição de ambos. Se os dois listam paracetamol, escolha apenas um.

Paracetamol e o fígado

O paracetamol é metabolizado no fígado e, em doses normais, gera um subproduto tóxico que é neutralizado rapidamente. Em dose excessiva, essa via de neutralização satura e o subproduto passa a lesar as células hepáticas.

O risco aumenta em pessoas que consomem álcool com frequência, estão desnutridas, em jejum prolongado ou já têm doença hepática. Nesses grupos, o limite diário deve ser menor e definido por um médico.

  • Não ultrapasse 3 g/dia sem orientação
  • Evite álcool durante o uso
  • Uso contínuo por mais de 5 dias exige avaliação
  • Sintomas de alerta: dor no lado direito do abdome, náusea persistente, urina escura, pele ou olhos amarelados

Paracetamol ou dipirona: qual escolher

Ambos são analgésicos e antitérmicos com eficácia semelhante para dor leve a moderada e febre. A diferença está no perfil de risco: o paracetamol pesa sobre o fígado; a dipirona pode derrubar a pressão e, em casos raríssimos, afetar a medula óssea.

Na prática, o paracetamol é preferido em quem tem pressão baixa ou histórico de reação à dipirona; a dipirona costuma ser escolhida por quem tem restrição hepática ou consome álcool regularmente. Nenhum dos dois é anti-inflamatório.

Conclusão

Paracetamol: de 6 em 6 horas, no máximo 3 gramas por dia e nunca somado a antigripais que já o contenham. Respeitado esse limite, é um dos analgésicos mais seguros disponíveis.

Guia completo: Paracetamol

Guia central do paracetamol: dose máxima diária, gotas por quilo, intervalo seguro e comparações com dipirona e ibuprofeno.

Perguntas frequentes

+Paracetamol 750 mg é de quantas em quantas horas?

De 6 em 6 horas, no máximo 4 comprimidos por dia — o que já totaliza 3 gramas, o limite diário recomendado.

+Posso tomar paracetamol de 4 em 4 horas?

Não. O intervalo mínimo é de 6 horas; de 4 em 4 horas você ultrapassaria a dose máxima diária.

+Qual a dose máxima de paracetamol por dia?

3 gramas por dia para adultos saudáveis. O limite absoluto de 4 gramas só deve ser usado sob orientação médica.

+Quanto tempo o paracetamol demora para fazer efeito?

Entre 30 e 60 minutos, com pico de ação em 1 a 2 horas.

+Paracetamol pode ser tomado em jejum?

Pode. Ele irrita pouco o estômago, mas o jejum prolongado aumenta o risco hepático em doses altas.

+Posso alternar paracetamol com ibuprofeno?

Sim. É uma estratégia comum em febre alta, respeitando pelo menos 3 horas entre os dois, preferencialmente com orientação.

+Paracetamol é anti-inflamatório?

Não. Ele é analgésico e antitérmico, com efeito anti-inflamatório desprezível. Para inflamação, a classe indicada é a dos AINEs.

+Grávida pode tomar paracetamol?

O paracetamol é o analgésico de primeira escolha na gestação, mas deve ser usado na menor dose eficaz, pelo menor tempo possível e com orientação do obstetra.

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Comentários reais

F
Farmacêutica Renata L.
28/07/2026

Uso esse tipo de tabela no balcão. A dúvida do intervalo é de longe a mais frequente de quem chega na farmácia.

A
Anônimo
19/07/2026

Direto ao ponto. Achei a resposta no primeiro parágrafo, que é o que eu queria.

M
Marcos A.
06/07/2026

Bom conteúdo. Só reforçaria que cada caso é um caso e o médico manda.

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Última revisão: 02/08/2026. Veja a política editorial.
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