Antibióticos

Antibióticos Mais Usados no Brasil: Guia Comparativo Completo

Guia comparativo dos antibióticos mais usados no Brasil: amoxicilina, azitromicina, cefalexina, ciprofloxacino e outros. Para que serve cada um, dose, duração e efeitos.

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14 min · Atualizado em 01/08/2026
Ilustração editorial — Antibióticos Mais Usados no Brasil: Guia Comparativo Completo (Antibióticos)
Ilustração editorial — Antibióticos Mais Usados no Brasil: Guia Comparativo Completo (Antibióticos)

Resposta direta: os antibióticos mais usados no Brasil são a amoxicilina (com ou sem clavulanato), a azitromicina, a cefalexina, o ciprofloxacino, a nitrofurantoína, a claritromicina e o metronidazol. Cada um cobre um grupo diferente de bactérias — não existe antibiótico 'forte' universal, existe antibiótico certo para cada infecção.

Antibióticos só agem contra bactérias. Eles não têm nenhum efeito sobre vírus — o que significa que gripe, resfriado comum, a maioria das dores de garganta e a maior parte das viroses intestinais não melhoram com antibiótico. Usar nesses casos apenas expõe a pessoa a efeitos colaterais e alimenta a resistência bacteriana.

Este guia compara os antibióticos mais prescritos no país lado a lado: contra o que cada um funciona, dose e duração típicas, principais efeitos colaterais, interações e cuidados. É uma referência educativa — a escolha do antibiótico é sempre uma decisão médica, e no Brasil a venda exige receita retida.

Os principais antibióticos, um a um

Amoxicilina (penicilina)
  • Usa-se em: infecção de garganta, otite, sinusite, infecções dentárias, pneumonia comunitária
  • Duração típica: 7 a 10 dias
  • Efeitos comuns: diarreia, náusea, candidíase
  • Cuidado: alergia à penicilina é a alergia medicamentosa mais relatada
Amoxicilina + clavulanato
  • Usa-se em: infecções resistentes à amoxicilina isolada, sinusite bacteriana, mordeduras, otite recorrente
  • Duração típica: 7 a 10 dias
  • Efeitos comuns: diarreia (mais frequente que com amoxicilina isolada)
  • Cuidado: tomar com alimento reduz o desconforto gástrico
Azitromicina (macrolídeo)
  • Usa-se em: infecções respiratórias, algumas ISTs, alternativa em alérgicos à penicilina
  • Duração típica: 3 a 5 dias (meia-vida longa)
  • Efeitos comuns: náusea, dor abdominal, diarreia
  • Cuidado: prolonga o intervalo QT — atenção em cardiopatas
Cefalexina (cefalosporina 1ª geração)
  • Usa-se em: infecções de pele e tecidos moles, infecção urinária, faringite
  • Duração típica: 7 a 10 dias, geralmente 6/6h
  • Efeitos comuns: náusea, diarreia
  • Cuidado: reação cruzada possível em alérgicos graves à penicilina
Ciprofloxacino (quinolona)
  • Usa-se em: infecção urinária complicada, infecções intestinais, prostatite
  • Duração típica: 3 a 14 dias conforme o quadro
  • Efeitos comuns: náusea, tontura, alteração do paladar
  • Cuidado: risco de tendinite e ruptura de tendão; evitar cálcio, ferro e leite próximos à dose
Nitrofurantoína
  • Usa-se em: cistite (infecção urinária baixa não complicada)
  • Duração típica: 5 a 7 dias
  • Efeitos comuns: náusea, urina escurecida (inofensivo)
  • Cuidado: não serve para infecção renal; evitar em função renal reduzida
Claritromicina (macrolídeo)
  • Usa-se em: infecções respiratórias, erradicação de H. pylori
  • Duração típica: 7 a 14 dias
  • Efeitos comuns: gosto metálico, náusea
  • Cuidado: muitas interações — atenção com estatinas e anticoagulantes
Metronidazol
  • Usa-se em: infecções por anaeróbios, vaginose bacteriana, giardíase, amebíase
  • Duração típica: 5 a 10 dias
  • Efeitos comuns: gosto metálico, náusea, urina escura
  • Cuidado: nada de álcool durante e por 72h após o tratamento
Sulfametoxazol + trimetoprima (Bactrim)
  • Usa-se em: infecção urinária, algumas infecções de pele, profilaxias específicas
  • Duração típica: 3 a 14 dias
  • Efeitos comuns: náusea, erupção cutânea
  • Cuidado: interage com varfarina; risco de reações cutâneas graves
Doxiciclina (tetraciclina)
  • Usa-se em: acne, ISTs, doenças transmitidas por carrapato, algumas pneumonias atípicas
  • Duração típica: variável, de 7 dias a meses na acne
  • Efeitos comuns: fotossensibilidade, esofagite se tomada deitada
  • Cuidado: contraindicada na gravidez e em crianças pequenas

Qual antibiótico costuma ser usado em cada infecção

Garganta (faringite estreptocócica)
  • 1ª linha: amoxicilina ou penicilina benzatina
  • Alérgico a penicilina: azitromicina ou clindamicina
  • Importante: a maioria das dores de garganta é viral e não precisa de antibiótico
Infecção urinária baixa (cistite)
  • 1ª linha: nitrofurantoína ou fosfomicina (dose única)
  • Alternativas: sulfametoxazol-trimetoprima, cefalexina
  • Ciprofloxacino: reservado para casos complicados
Sinusite bacteriana
  • 1ª linha: amoxicilina (com ou sem clavulanato)
  • Alérgico: doxiciclina ou macrolídeo
  • Importante: sinusite viral melhora sozinha em até 10 dias
Pneumonia comunitária (adulto sem comorbidade)
  • 1ª linha: amoxicilina ou amoxicilina-clavulanato
  • Alternativa: azitromicina ou claritromicina
  • Sempre com avaliação médica — pode exigir internação
Infecção de pele (celulite, erisipela)
  • 1ª linha: cefalexina
  • Suspeita de MRSA: sulfametoxazol-trimetoprima ou clindamicina
  • Sinais de alarme: febre alta, extensão rápida, dor desproporcional
Infecção dentária
  • 1ª linha: amoxicilina
  • Alternativas: amoxicilina-clavulanato, clindamicina, metronidazol associado
  • Importante: antibiótico não substitui o tratamento odontológico
Vaginose bacteriana
  • 1ª linha: metronidazol (oral ou gel vaginal)
  • Alternativa: clindamicina creme
  • Cuidado: não confundir com candidíase, que é fúngica
Diarreia infecciosa
  • Maioria dos casos: NÃO usar antibiótico — hidratação resolve
  • Casos selecionados: ciprofloxacino ou azitromicina, com avaliação
  • Alerta: antibiótico desnecessário pode piorar quadros por E. coli produtora de toxina
Estas correspondências são educativas e refletem condutas frequentes. A escolha real depende do exame clínico, da gravidade, do histórico de alergia e do perfil de resistência local — só o médico pode prescrever.

Resistência bacteriana: por que isso importa para você

Resistência bacteriana acontece quando bactérias deixam de responder aos antibióticos que antes as eliminavam. Não é a pessoa que fica resistente — são as bactérias que evoluem e se selecionam. Quanto mais antibiótico é usado de forma desnecessária, mais rápido esse processo acontece.

A Organização Mundial da Saúde classifica a resistência antimicrobiana como uma das maiores ameaças à saúde global. Infecções que hoje se resolvem com um comprimido barato podem exigir internação e antibióticos injetáveis num cenário de resistência avançada.

No Brasil, a exigência de retenção de receita para antibióticos (RDC 20/2011 da Anvisa) foi uma medida direta de contenção desse problema e reduziu significativamente a venda balcão. A parte que depende de cada pessoa é: não pressionar o médico por antibiótico, não usar sobras de tratamentos anteriores e completar o tratamento prescrito.

  • Não tome antibiótico para gripe, resfriado ou virose — não funciona.
  • Não interrompa antes do prazo só porque melhorou, salvo orientação médica em contrário.
  • Nunca use sobra de antibiótico de outro tratamento ou de outra pessoa.
  • Não repita uma receita antiga para um novo episódio sem reavaliação.
  • Descarte sobras em pontos de coleta de farmácias, não no lixo comum nem no vaso sanitário.

Efeitos colaterais e cuidados durante o tratamento

  • Diarreia é o efeito mais comum de quase todos os antibióticos — costuma ser leve e passar após o término.
  • Diarreia intensa, com sangue ou febre, pode indicar colite por Clostridioides difficile: procure atendimento.
  • Candidíase vaginal ou oral é frequente porque o antibiótico altera a flora normal.
  • Probióticos podem reduzir a diarreia associada; tome espaçado do antibiótico em pelo menos 2 horas.
  • Reações alérgicas variam de urticária a anafilaxia. Falta de ar, inchaço de lábios ou língua é emergência.
  • Quinolonas (ciprofloxacino, levofloxacino) exigem atenção a dor em tendões, sobretudo o de Aquiles.
  • Doxiciclina aumenta a sensibilidade ao sol — use protetor solar e evite exposição prolongada.
  • Metronidazol com álcool provoca reação intensa com náusea, vômito e taquicardia.
Tomar o antibiótico sempre nos mesmos horários mantém o nível do medicamento estável no sangue — é isso que impede a bactéria de se recuperar entre as doses.

Mitos comuns sobre antibióticos

"Antibiótico corta o efeito do anticoncepcional"
  • Mito na maioria dos casos
  • Exceção real e comprovada: rifampicina e rifabutina
  • Vômito ou diarreia intensa pode, sim, prejudicar a absorção
"Melhorei, posso parar"
  • Errado como regra geral
  • A melhora ocorre antes da eliminação completa da bactéria
  • Alguns esquemas curtos existem, mas são definidos pelo médico
"Antibiótico forte resolve mais rápido"
  • Não existe 'forte' — existe espectro adequado
  • Antibiótico de amplo espectro desnecessário destrói mais flora e seleciona resistência
"Posso tomar o mesmo que tomei antes"
  • Cada infecção tem agente e sensibilidade diferentes
  • Repetir receita antiga é uma das principais causas de falha terapêutica
"Antibiótico serve para gripe forte"
  • Gripe é viral — antibiótico não tem efeito nenhum
  • Só há indicação se houver complicação bacteriana comprovada

Guia completo: Amoxicilina

Central da amoxicilina: para que serve, intervalo entre doses, melhor horário, tempo de efeito e interação com anticoncepcional.

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Perguntas frequentes

+Qual é o antibiótico mais usado no Brasil?

A amoxicilina, isolada ou associada ao clavulanato, é o antibiótico mais prescrito no país, seguida pela azitromicina e pela cefalexina. São medicamentos de amplo uso em infecções respiratórias, dentárias, de pele e urinárias.

+Quantos dias devo tomar antibiótico?

Depende do antibiótico e da infecção. Azitromicina costuma ser 3 a 5 dias; amoxicilina e cefalexina, 7 a 10 dias; nitrofurantoína para cistite, 5 a 7 dias. Siga exatamente o prazo prescrito e não interrompa por conta própria.

+Posso tomar antibiótico sem receita?

Não. Desde a RDC 20/2011 da Anvisa, a venda de antibióticos no Brasil exige receita com retenção. A medida existe para conter a resistência bacteriana e é obrigatória em todo o país.

+Qual antibiótico é usado para infecção urinária?

Para cistite não complicada, as primeiras escolhas costumam ser nitrofurantoína ou fosfomicina em dose única. Cefalexina e sulfametoxazol-trimetoprima são alternativas. Ciprofloxacino fica reservado para casos complicados ou infecção renal.

+Posso tomar antibiótico e álcool?

Com metronidazol e tinidazol, não — a combinação provoca reação intensa com náusea, vômito e taquicardia, e o álcool deve ser evitado até 72 horas após a última dose. Com os demais, o álcool não anula o efeito, mas piora os efeitos colaterais e a recuperação.

+Antibiótico dá diarreia? O que fazer?

Sim, é o efeito colateral mais comum, porque o medicamento altera a flora intestinal. Hidrate-se bem e considere probióticos espaçados em pelo menos 2 horas do antibiótico. Diarreia intensa, com sangue ou febre exige avaliação médica imediata.

+Posso tomar antibiótico na gravidez?

Alguns sim, outros não. Penicilinas e cefalosporinas são consideradas seguras. Doxiciclina e quinolonas são contraindicadas. A escolha deve ser sempre do obstetra, nunca por conta própria.

+Antibiótico serve para gripe ou COVID?

Não. Gripe, resfriado e COVID-19 são causados por vírus, e antibióticos não têm efeito sobre vírus. O antibiótico só entra se houver uma complicação bacteriana secundária, como pneumonia bacteriana, confirmada pelo médico.

+O que faço com a sobra de antibiótico?

Não guarde para uso futuro nem repasse a outra pessoa. Leve as sobras a um ponto de coleta de medicamentos em farmácias ou unidades de saúde — descartar no lixo comum ou no vaso sanitário contamina o ambiente e contribui para a resistência bacteriana.

Você já usou ou pesquisou sobre esse tema?

Sua nota:

Comentários reais

F
Farmacêutica Ana Paula S.
31/07/2026

Guia muito bem estruturado. A parte de mitos é o que mais preciso explicar no balcão todos os dias.

A
Anônimo
28/07/2026

Finalmente entendi por que o médico não me dá antibiótico toda vez que fico gripado.

D
Dr. Henrique L.
25/07/2026

Conteúdo responsável, deixa claro em vários pontos que a prescrição é médica. Bom material para orientar paciente.

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